Fotos: Tássia Novaes
"Meu nome é Abelina Maria das Neves,
mas todo mundo me conhece como dona Preta"
Foi num pequeno quarto, com pouco mais de dois metros de comprimento, que entrevistamos dona Preta. Malmente coube a equipe ali dentro. Marcello ficou do lado de fora, mandando luz com o rebatedor, enquanto Mateus (em pé) e Humberto (sentado na cama) se encarregavam da entrevista. É ali que dona Preta dorme e passa boa parte do dia, junto com suas bonecas, nos fundos da casa onde mora com a família em Igrapiúna - pequena cidade, com pouco mais de dez mil habitantes, localizada entre Ituberá e Camamu.
Só sai com ajuda de alguém - filhos ou netos, já os bisnetos e tataranetos (sim, são cinco gerações numa mesma casa) se encarregam dos mimos à "Vó Preta", como é carinhosamente chamada pela família. A força do tempo lhe impõe, há alguns anos, dificuldade para caminhar. "Só vou na rua com minha filha. Eu já prestei nessa vida, já fui gente. Surrava um pandeiro como ninguém", conta, com empolgação.
Mas, afinal, quantos anos têm dona Preta?
As marcas do tempo cravada na pele cabocla são um sinal de que há muita história para contar. Entretanto, a resposta é uma incógnita até mesmo para a família. "Naquela época, os pais não registravam os filhos logo quando nasciam, às vezes, só preparavam o documento quando o menino já tava grande. Foi o que aconteceu com ela", diz, Anelita dos Santos, a filha mais velha.
A certidão de nascimento de dona Preta foi feita na ocasião do casamento de Anelita. É o único documento que eles possuem. No papel, está escrito que dona Preta nasceu no dia 3 de novembro de 1913. Ou seja, ela teria atualmente 96 anos. Mas como o documento foi feito sem precisão, circula por aí que dona Preta tem 120 anos de vida, sendo assim, seria a mulher mais velha do mundo. Questionada sobre a data em que nasceu, ela mesma não soube dizer. Recentemente, uma equipe da Associação Guardiã do Pratigi (AGIR) iniciou uma pesquisa para decifrar tal mistério. Ainda não se sabe quando o parecer final estará pronto. A intenção é chegar a idade de dona Preta, a partir de uma análise da idade dos parentes que estão vivos.
Se é ou não a mulher mais velha do mundo, pra gente isso é apenas um detalhe. Escolhemos dona Preta porque o seu encanto está na aura mítica que se formou diante da realidade. Embora a memória apresente nítidos sinais de desgaste, o fervor explícito em sua fala é a comprovação de que ela, por si só, carrega uma grande história de vida, independente da idade.
Enquanto a entrevistávamos, dois rapazes bateram na porta da casa. "É aqui que mora a mulher de 120 anos?", perguntou um deles. Os dois entraram, como se tivessem em busca de uma raridade, algo que fosse necessário ver para crer. Com o corpo encurvado, pediram benção em sinal de reverência. Dona Preta lançou um olhar profundo, típico de quem analisa um pouco além da aparência - também a alma. Os dois prontamente foram abençoados e saíram em silêncio. "É sempre assim", comentou Anelita. Dona Preta abençoa todos que passam por ela.
Só sai com ajuda de alguém - filhos ou netos, já os bisnetos e tataranetos (sim, são cinco gerações numa mesma casa) se encarregam dos mimos à "Vó Preta", como é carinhosamente chamada pela família. A força do tempo lhe impõe, há alguns anos, dificuldade para caminhar. "Só vou na rua com minha filha. Eu já prestei nessa vida, já fui gente. Surrava um pandeiro como ninguém", conta, com empolgação.Mas, afinal, quantos anos têm dona Preta?
As marcas do tempo cravada na pele cabocla são um sinal de que há muita história para contar. Entretanto, a resposta é uma incógnita até mesmo para a família. "Naquela época, os pais não registravam os filhos logo quando nasciam, às vezes, só preparavam o documento quando o menino já tava grande. Foi o que aconteceu com ela", diz, Anelita dos Santos, a filha mais velha.
A certidão de nascimento de dona Preta foi feita na ocasião do casamento de Anelita. É o único documento que eles possuem. No papel, está escrito que dona Preta nasceu no dia 3 de novembro de 1913. Ou seja, ela teria atualmente 96 anos. Mas como o documento foi feito sem precisão, circula por aí que dona Preta tem 120 anos de vida, sendo assim, seria a mulher mais velha do mundo. Questionada sobre a data em que nasceu, ela mesma não soube dizer. Recentemente, uma equipe da Associação Guardiã do Pratigi (AGIR) iniciou uma pesquisa para decifrar tal mistério. Ainda não se sabe quando o parecer final estará pronto. A intenção é chegar a idade de dona Preta, a partir de uma análise da idade dos parentes que estão vivos.
Se é ou não a mulher mais velha do mundo, pra gente isso é apenas um detalhe. Escolhemos dona Preta porque o seu encanto está na aura mítica que se formou diante da realidade. Embora a memória apresente nítidos sinais de desgaste, o fervor explícito em sua fala é a comprovação de que ela, por si só, carrega uma grande história de vida, independente da idade.
Enquanto a entrevistávamos, dois rapazes bateram na porta da casa. "É aqui que mora a mulher de 120 anos?", perguntou um deles. Os dois entraram, como se tivessem em busca de uma raridade, algo que fosse necessário ver para crer. Com o corpo encurvado, pediram benção em sinal de reverência. Dona Preta lançou um olhar profundo, típico de quem analisa um pouco além da aparência - também a alma. Os dois prontamente foram abençoados e saíram em silêncio. "É sempre assim", comentou Anelita. Dona Preta abençoa todos que passam por ela.

Belissímo trabalho Humberto.
ResponderExcluirParabéns!!!