sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Zona rural [3]


 Um pouco mais da vegetação e fauna da APA do Pratigi, próximo a Ituberá | Fotos: Tássia Novaes



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cidade [6]


Para vocês conhecerem um pouco a cidade, Igrapiúna | Foto: Tássia Novaes

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Família [2]

Dona Preta entre os seus | Foto: Tássia Novaes

domingo, 29 de novembro de 2009

Dona Preta: mistérios e encantos

Fotos: Tássia Novaes


"Meu nome é Abelina Maria das Neves, 
mas todo mundo me conhece como dona Preta"

Foi num pequeno quarto, com pouco mais de dois metros de comprimento, que entrevistamos dona Preta.  Malmente coube a equipe ali dentro. Marcello ficou do lado de fora, mandando luz com o rebatedor, enquanto Mateus (em pé) e Humberto (sentado na cama) se encarregavam da entrevista. É ali que dona Preta dorme e passa boa parte do dia, junto com suas bonecas, nos fundos da casa onde mora com a família em Igrapiúna - pequena cidade, com pouco mais de dez mil habitantes, localizada entre Ituberá e Camamu.

Só sai com ajuda de alguém - filhos ou netos, já os bisnetos  e tataranetos (sim, são cinco gerações numa mesma casa) se encarregam dos mimos à  "Vó Preta", como é  carinhosamente chamada pela família. A força do tempo lhe impõe, há alguns anos, dificuldade para caminhar. "Só vou na rua com minha filha. Eu já prestei nessa vida, já fui gente. Surrava um pandeiro como ninguém", conta, com empolgação.

Mas, afinal, quantos anos têm dona Preta?

As marcas do tempo cravada na pele cabocla são um sinal de que há muita história para contar. Entretanto, a resposta é uma incógnita até mesmo para a família. "Naquela época, os pais não registravam os filhos logo quando nasciam, às vezes, só preparavam o documento quando o menino já tava grande. Foi o que aconteceu com ela", diz, Anelita dos Santos, a filha mais velha.

A certidão de nascimento de dona Preta foi feita na ocasião do casamento de Anelita. É o único documento que eles possuem. No papel, está escrito que dona Preta nasceu no dia 3 de novembro de 1913. Ou seja,  ela teria atualmente 96 anos. Mas como o documento foi feito sem precisão, circula por aí que dona Preta tem 120 anos de vida, sendo assim, seria a mulher mais velha do mundo.  Questionada sobre a data em que nasceu, ela mesma  não soube dizer. Recentemente, uma equipe da Associação Guardiã do Pratigi (AGIR) iniciou uma pesquisa para decifrar tal mistério. Ainda não se sabe quando o parecer final estará pronto. A intenção é chegar a idade de dona Preta, a partir de uma análise da idade dos parentes que estão vivos.

Se é ou não a mulher mais velha do mundo, pra gente isso é apenas um detalhe. Escolhemos dona Preta porque o seu encanto está na aura mítica que se formou diante da realidade. Embora a memória apresente nítidos sinais de desgaste, o fervor explícito em sua fala  é a comprovação de que ela, por si só,  carrega uma grande história de vida, independente da idade.

Enquanto a entrevistávamos, dois rapazes bateram na porta da casa. "É aqui que mora a mulher de 120 anos?", perguntou um deles. Os dois entraram, como se tivessem em busca de uma raridade, algo que  fosse necessário ver para crer. Com o corpo encurvado, pediram benção em sinal de reverência. Dona Preta lançou um olhar profundo, típico de quem analisa  um  pouco além da aparência - também a alma. Os dois prontamente foram abençoados e saíram em silêncio. "É sempre assim", comentou Anelita. Dona Preta abençoa todos que passam por ela.

Vida [2]









































Ela espiava curiosa, do canto da porta, enquanto entrevistávamos dona Preta, terceira personagem do nosso doc, em Igrapiúna | Foto: Tássia Novaes

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cidade [5]

Fotos: Tássia Novaes
Cortada pelo Rio das Almas, Nilo Peçanha teve origem em 1565, a partir da vila de Santo Antônio de Boipeba. Atualmente, são cerca de 12 mil habitantes, segundo o IBGE. Cidade de vias largas e tranquilas - pouquíssimos carros nas ruas, geralmente, as pessoas seguem a pé ou de bicicleta. Impressiona a beleza do conjunto arquitetônico - cores e formas do século XIX ao XXI.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Natureza [2]



Mudança na paisagem. Saímos do alto da cordilheira em direção ao litoral. Na região de  Igrapiúna, Ituberá, Pratigi, Jatimane, Boitaraca e Nilo Peçanha predominam as restingas, maguezais e estuários. Em toda APA do Pratigi a vegetação nativa é remanescente de Mata Atlântica. Na foto, Boitaraca | Fotos: Tássia Novaes  

Nael - sabedoria além da piaçava

Fotos: Tássia Novaes

Chegamos em Boitaraca, de manhã bem cedo, para conversar com o nosso segundo personagem - seo Nael, um senhor de 68 anos, história viva do cliclo da piaçava no Baixo Sul, principal fonte de renda da região juntamente com o dendê e o guaraná.

O local é um pequeno vilarejo que pertence ao município de Nilo Peçanha, também integrado à APA do Pratigi. Possui praticamente uma rua central, com casas enfileiradas e uma igreja. Há também um cemitério e nada mais além disso. O posto de saúde mais próximo fica a 20 quilômetros em Nilo Peçanha. Cerca de 50 famílias vivem em Boitaraca - a maioria é remanescente de quilombo.



Seo Nael nos levou à sua roça de piaçava, em São Francisco, localidade ao lado de Boitaraca. Lá conversamos sobre a sua história de vida, seus pais, irmãos. Também sobre a infância no local, o primeiro namoro, o casamento e os seus sonhos. Confira um trecho da entrevista >>

"Sempre peço a Deus 
que me dê mais uns anos de vida 
para que eu possa viver com meus filhos. 
Meu amor maior são os meus filhos. 
Assim como meus pais me criaram, 
quero criar meus filhos. 
Para que eles vejam que eu estou vivo 
e ainda posso fazer qualquer coisa por eles 
e eles por mim".

A todo momento, Seo Nael nos passou um ar de tranquilidade. "Sou mesmo, não gosto de ter pressa pra nada", garantiu. Além de muita intimidade com a natureza. "Planta não fala mais é viva. Quando chego aqui dou bom dia a todos", diz.

Meninas


Circulando pelas ruas de Ituberá | Foto: Tássia Novaes

domingo, 15 de novembro de 2009

Festa popular


Festa em louvor ao Glorioso Santo André, padroeiro de Ituberá. Acompanhamos a chegada da imagem de barco e o cortejo pelas ruas da cidade até a igreja, onde é realizada a lavagem. Aguarde em breve um post com fotos desta manifestação religiosa, no Baixo Sul | Foto: Tássia Novaes

Cidade [3]




























Piraí do Norte | Foto: Tássia Novaes

Outro dia na estrada

Fotos: Tássia Novaes



Uma sinuosa estrada de barro liga Ituberá a Piraí do Norte, municípios da APA do Pratigi. Até o momento, esse foi o trecho mais tenso da expedição. Passamos por lá há quatro dias. Encontramos o chão ainda úmido, consequência de uma forte chuva que caiu na região no dia anterior. São 60 quilômetros serpenteando uma série de morros altos - a cidade fica encravada numa depressão. Sem acostamento, sem barreira de contenção. Os pneus  do carro deslizavam no barro mesmo em baixa velocidade. Fizemos o percurso, em média, a 40km/h e ainda sim não foi fácil manter o controle do veículo.

A cada curva, dava a impressão de que íamos despencar ribanceira abaixo. E de fato foi o que aconteceu. Calma... não com a gente. Continuamos inteiros. Olha Mateus Damasceno, nosso câmera, e Marcello Benedictis, do áudio, trabalhando na foto aí embaixo. Foi com um outro carro que vinha pouco depois do nosso. Por volta das 16h, avistamos um reboque na pista. O motorista cochilou, perdeu controle e caiu no penhasco. O resgate foi feito de trator. Seguimos viagem e acabamos sem saber o que aconteceu com o motorista. Minutos antes, cruzamos com o ônibus escolar de Piraí do Norte (acima), que faz o transporte das crianças da zona rual. O ônibus derrapou na pista duas vezes a menos de 200 metros do nosso carro.




O risco compensa. A paisagem que se vê no caminho é animadora - remanescente de Mata Atlântica. Paramos várias vezes para filmar a vegetação - sons, textura, variações de cor.


Ao chegar na cidade, conhecemos dona Janete, uma simpática costureira, que nos contou um pouco sobre o local onde nasceu e vive até hoje. "A maioria das pessoas que moram aqui se conhecem", diz.

De acordo com dados IBGE, Piraí do Norte possui pouco mais de dez mil habitantes, sendo que a maioria vive na zona rual - 7.638 pessoas.

Para nossa surpresa, a estrada de barro um dia já foi asfaltada. "Na década de 80, o governo do Estado financiou a pavimentação da estrada. O problema é que nunca teve manutenção, aos poucos o asfalto foi se desfazendo até sumir completamente", conta.

Para ela, a dificuldade de acesso prejudica o desenvolvimento da cidade. "Poderíamos até investir no turismo se tivesse uma estrada boa, temos belas cachoeiras aqui na região", acredita.

sábado, 14 de novembro de 2009

Natureza


Gavião. Ave bastante encontrada na APA do Pratigi | Foto: Tássia Novaes

Hoje na estrada...



pegamos pingo grosso. Na BA-650 | Foto: Tássia Novaes

Vida


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Zona rural [2]



Amanhecer na saída da Serra da Papuã, via Estrada Parque da Cidadania (sem asfalto), em direção ao Rio do Meio, onde mora a família de seo Antonio. Parte da floresta nativa (Mata Atlântica) foi desmatada em queimadas para abrir pastos na vegetação | Foto: Tássia Novaes

A filha menor

Fotos: Tássia Novaes

Suely, filha caçula de seo Antonio e dona Núbia (abaixo). Embora tenham fogão elétrico em casa, em bom estado de conservação, todas as refeições da família são preparadas no fogão de lenha que fica no quintal - espaço utilizado também para separar cravo, uma das fontes de renda família | Fotos: Tássia Novaes



Dos 15 filhos de seo Antonio - 11 deles com a esposa atual, dona Núbia - a pequena Suely, de 6 anos, veio ao mundo num parto bastante complicado: estava atravessada na barriga da mãe. "Foi a única que precisou de médico, os outros nasceram de parto normal com parteira aqui em casa mesmo. Tive muito medo. Dá agonia ver o médico costurando a gente", conta dona Núbia. 

Suely nasceu no hospital em Itabuna. Por muito pouco a mãe não morreu no caminho. E que caminho... para sair do Rio do Meio, pequena comunidade rural onde a família mora em Ibirapitanga, são cerca de 30 minutos saculejando numa estrada de barro até alcançar o asfalto na BR-101. Não há ônibus nem táxi. As pessoas vão a pé, de montaria ou carro particular. Não há linha de telefone fixo mas tem antena parabólica. Celular funciona o sinal apenas de uma operadora.

Quando entrou em trabalho de parto, dona Núbia estava sozinha em casa com os filhos. O marido, seo Antonio, personagem do nosso documentário, estava trabalhando na mata, longe de casa. "Não tinha como avisar a ele. Um dos meninos correu para chamar meu irmão. Ele veio meia hora depois com a parteira, mas ela não conseguiu tirar a criança", lembra.

Saíram, então, num carro emprestado por um vizinho em direção a Itamarati, distrito de Ibirapitanga, onde tem um posto de saúde. "Só tinha uma enfermeira. Não tinha como fazer o parto lá. Eu estava me sentindo muito mal, pensei que ia morrer", conta.

Dona Núbia foi levada as pressas de ambulância para Itabuna - cidade mais próxima com hospital público. São 84 quilômetros pela BR-101. "Quando acordei, o médico colocou a menina nos meus braços e disse que era para agradecer a Deus, porque tinha sido um milagre nós duas estarmos vivas", diz.

Mãe e filha voltaram para casa três dias depois. "Ela nasceu miudinha e eu estava muito fraca. Não tinha força nem para segurar nos braços, até deixei ela cair no chão", recorda, com naturalidade.

Família


Dona Núbia e Seo Antonio com alguns dos filhos e um neto. "Quem não tá na foto tá na escola", explicam. Na cadeia evolutiva, a terceira geração já encontra um ambiente melhor para viver no campo com consciência ambiental, contribuindo para reflorestamento da APA do Pratigi | Fotos: Tássia Novaes 



Viveiro, o berçário das plantas




O homem da floresta [antes e depois]

Fotos: Tássia Novaes 




Seo Antonio é um pequeno agricultor que faz diferença na comunidade do Rio do Meio, zona rural de Ibirapitanga, onde mora com a esposa e 15 filhos num terreno de cinco hectares regado basicamente de cacau e cravo, principal fonte de renda da família. "Não subo mais no craveiro porque estou com um problema na coluna, mas meus parentes todos catam cravo", conta.

A história de vida impressiona. Durante mais de duas décadas seo Antonio contribuiu para o desmatamento da mata nativa da APA do Pratigi. "A gente subia a floresta para pegar as árvores maiores. Derrubei muita árvore. Tinha árvore que demorava 30 dias para cair e quando tombava os galhos derrubavam outras 20. Hoje sei que isso não faz bem a mim mesmo, prejudica a minha família", ressalta.

Além da extração ilegal de madeira, é comum na região desmatar a floresta para abrir pastos nos morros ou para cultivo de monocultura, principalmente mandioca, sempre através de queimadas, que contribuem para o empobrecimento do solo e, consequentemente, desequilibrio do ecossistema.

Há cinco anos, seo Antonio se tornou um dos principais agentes  de reflorestamento da região, a partir de um programa de concientização feito pela Associação Guardiã do Pratigi (AGIR) com os moradores locais.  "A maioria das pessoas aqui são parentes", conta.

Um viveiro foi construído no espaço ao lado da casa, onde seo Antonio cultiva mudas - mais uma fonte de renda para a família. "Para mim, é uma felicidade saber que hoje vem gente aqui comprar  minhas mudas para plantar, de um lugar que sempre foi desmatado", conta. Ipê amarelo, jatobá, jequitibá, craveiro, cajueiro, jaqueira, cupuaçu, pau pombo, pau preto são alguns exemplos da fartura do viveiro de Seo Antonio.


Fomos recebidos em sua casa com muita satisfação. Horas e horas de entrevista. Na verdade, mais parecia um bate-papo.  

Seo Antonio nos contou sua história de vida desde o nascimento até os dias atuais. Conversamos sobre o período de desmatamento, sobre a família e o dia-a-dia na roça. Falamos também sobre sonhos e desejos. "Meu maior sonho é garantir o futuro dos meus filhos", encerrou.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Cidade [2]


Itamarati, distrito de Ibirapitanga. Passamos por aqui | Foto: Tássia Novaes

Zona rural


Subida para a Serra da Papuã, onde está localizada a sede da Associação Guardiã da APA do Pratigi (AGIR). 5h30 da manhã | Foto: Tássia Novaes

Estrada

Momento inspiração. 
Na BR-101, próximo a Gandu. Foto: Tássia Novaes

Cidade




























 Ibirapitanga, um dos municípios da APA do Pratigi. 
Nosso primeiro destino. Foto: Tássia Novaes