Fotos: Tássia Novaes
Uma sinuosa estrada de barro liga Ituberá a Piraí do Norte, municípios da APA do Pratigi. Até o momento, esse foi o trecho mais tenso da expedição. Passamos por lá há quatro dias. Encontramos o chão ainda úmido, consequência de uma forte chuva que caiu na região no dia anterior. São 60 quilômetros serpenteando uma série de morros altos - a cidade fica encravada numa depressão. Sem acostamento, sem barreira de contenção. Os pneus do carro deslizavam no barro mesmo em baixa velocidade. Fizemos o percurso, em média, a 40km/h e ainda sim não foi fácil manter o controle do veículo.
A cada curva, dava a impressão de que íamos despencar ribanceira abaixo. E de fato foi o que aconteceu. Calma... não com a gente. Continuamos inteiros. Olha Mateus Damasceno, nosso câmera, e Marcello Benedictis, do áudio, trabalhando na foto aí embaixo. Foi com um outro carro que vinha pouco depois do nosso. Por volta das 16h, avistamos um reboque na pista. O motorista cochilou, perdeu controle e caiu no penhasco. O resgate foi feito de trator. Seguimos viagem e acabamos sem saber o que aconteceu com o motorista. Minutos antes, cruzamos com o ônibus escolar de Piraí do Norte (acima), que faz o transporte das crianças da zona rual. O ônibus derrapou na pista duas vezes a menos de 200 metros do nosso carro.
O risco compensa. A paisagem que se vê no caminho é animadora - remanescente de Mata Atlântica. Paramos várias vezes para filmar a vegetação - sons, textura, variações de cor.
Ao chegar na cidade, conhecemos dona Janete, uma simpática costureira, que nos contou um pouco sobre o local onde nasceu e vive até hoje. "A maioria das pessoas que moram aqui se conhecem", diz.
De acordo com dados IBGE, Piraí do Norte possui pouco mais de dez mil habitantes, sendo que a maioria vive na zona rual - 7.638 pessoas.
Para nossa surpresa, a estrada de barro um dia já foi asfaltada. "Na década de 80, o governo do Estado financiou a pavimentação da estrada. O problema é que nunca teve manutenção, aos poucos o asfalto foi se desfazendo até sumir completamente", conta.
Para ela, a dificuldade de acesso prejudica o desenvolvimento da cidade. "Poderíamos até investir no turismo se tivesse uma estrada boa, temos belas cachoeiras aqui na região", acredita.



Primeiro, parabéns pelo trabalho!!
ResponderExcluirAs estradas da região realmente não são as melhores, estive por lá a pouco tempo. Acredito que esse trabalho contribuirá não só para mostrar as belezas naturais e as pessoas da APA, mas também a realidade local.
Parabéns mais uma vez!!!