domingo, 15 de novembro de 2009

Outro dia na estrada

Fotos: Tássia Novaes



Uma sinuosa estrada de barro liga Ituberá a Piraí do Norte, municípios da APA do Pratigi. Até o momento, esse foi o trecho mais tenso da expedição. Passamos por lá há quatro dias. Encontramos o chão ainda úmido, consequência de uma forte chuva que caiu na região no dia anterior. São 60 quilômetros serpenteando uma série de morros altos - a cidade fica encravada numa depressão. Sem acostamento, sem barreira de contenção. Os pneus  do carro deslizavam no barro mesmo em baixa velocidade. Fizemos o percurso, em média, a 40km/h e ainda sim não foi fácil manter o controle do veículo.

A cada curva, dava a impressão de que íamos despencar ribanceira abaixo. E de fato foi o que aconteceu. Calma... não com a gente. Continuamos inteiros. Olha Mateus Damasceno, nosso câmera, e Marcello Benedictis, do áudio, trabalhando na foto aí embaixo. Foi com um outro carro que vinha pouco depois do nosso. Por volta das 16h, avistamos um reboque na pista. O motorista cochilou, perdeu controle e caiu no penhasco. O resgate foi feito de trator. Seguimos viagem e acabamos sem saber o que aconteceu com o motorista. Minutos antes, cruzamos com o ônibus escolar de Piraí do Norte (acima), que faz o transporte das crianças da zona rual. O ônibus derrapou na pista duas vezes a menos de 200 metros do nosso carro.




O risco compensa. A paisagem que se vê no caminho é animadora - remanescente de Mata Atlântica. Paramos várias vezes para filmar a vegetação - sons, textura, variações de cor.


Ao chegar na cidade, conhecemos dona Janete, uma simpática costureira, que nos contou um pouco sobre o local onde nasceu e vive até hoje. "A maioria das pessoas que moram aqui se conhecem", diz.

De acordo com dados IBGE, Piraí do Norte possui pouco mais de dez mil habitantes, sendo que a maioria vive na zona rual - 7.638 pessoas.

Para nossa surpresa, a estrada de barro um dia já foi asfaltada. "Na década de 80, o governo do Estado financiou a pavimentação da estrada. O problema é que nunca teve manutenção, aos poucos o asfalto foi se desfazendo até sumir completamente", conta.

Para ela, a dificuldade de acesso prejudica o desenvolvimento da cidade. "Poderíamos até investir no turismo se tivesse uma estrada boa, temos belas cachoeiras aqui na região", acredita.

Um comentário:

  1. Primeiro, parabéns pelo trabalho!!

    As estradas da região realmente não são as melhores, estive por lá a pouco tempo. Acredito que esse trabalho contribuirá não só para mostrar as belezas naturais e as pessoas da APA, mas também a realidade local.

    Parabéns mais uma vez!!!

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